Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP
A professora Michele Ramos, da EMEFI Prof.ª Ildete Mendonça
Barbosa, em São José dos Campos-SP, afirmou, em entrevista ao programa Alô Você
Vale, da afiliada TH+ SBT, na quarta-feira (1º/7/2026), que não pretende voltar
à sala de aula por enquanto após três alunos colocarem pedaços de vidro em sua
garrafa de água.
INFORMAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL:
A ingestão ou presença de vidro moído no estômago é uma
emergência médica grave. Fragmentos cortantes podem causar cortes, inflamações
e perfurações no esôfago, estômago e intestinos. Complicações como hemorragias
ou peritonite exigem atendimento hospitalar imediato.
MEU MAGISTÉRIO
Com 40 anos de magistério no fundamental 2 e ensino médio,
tenho algo a dizer sobre o assunto: violência na escola. Até dei meu rosto para
aluno bater, mas ele baixou a mão. Diretor queria chamar pais, suspendê-lo das
aulas, eu o removi de tais intenções: eu fui brusco com ele, ficou
nervoso.
Voltei para Araçatuba em 1977, como professor efetivo.
Naquela época não tinha promoção automática, havia disparidade de idade com a
série. Cada cavalão na quinta-série. Logo que cheguei, numa sala, apoiado em
chiclete, enfiaram alfinete com a ponta para cima na cadeira em que eu ia me
sentar. Queriam furar meu bumbum. Vi a tempo.
Também no período noturno, numa sétima série, apostei com a
classe que o Palmeiras ia ganhar da AEA num jogo em São Paulo, caso acontecesse
ao contrário, eu ia entrar à sala caminhando de joelho na próxima aula. E a
desgraça aconteceu, cumpri a promessa sob os apupos dos alunos.
Uma gangue do bairro São José entrou na escola, eu estava de
aula vaga. Os delinquentes bateram em servente e bedel. Saí no pau com eles.
Chamaram a polícia para denunciar que eu havia batido em menores. Os soldados
fizeram a ocorrência dizendo que eles bateram nos funcionários e ignoraram a
denúncia deles. Agradeço a polícia até hoje.
Tenho casos de conflito em escola que dá livro, mas meu
objetivo aqui é mostrar que a juventude sempre dá trabalho.
Naquela época não havia redes sociais, o jornalismo tinha a prática
do balcão, os fatos sociais e a violência ficavam entre paredes.
SÓCRATES
O filósofo reclama bem antes de Cristo da juventude:
“Os jovens de hoje adoram o luxo. Têm maus modos, desprezo
pela autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos e passam o tempo a falar em
vez de trabalhar. Contradizem os pais, tiranizam os seus mestres e cruzam as
pernas.”
A tecnologia evoluiu, mas o ser humano continua aquele da
caverna, com todos os sentimentos inalterados. Somos os mesmos. Antigamente não
era melhor, era diferente.














